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segunda-feira, 5 de maio de 2014

CULPA decorrente de ABUSOS

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A culpa é um sentimento o qual não é maléfico de todo, contando que não perdure, mas seja erradicada.Num primeiro momento, a culpa diante de um ato praticado por mim o qual causou dor, destruição e/ou ofensa a alguém é saudável, pois me leva, muitas vezes ao ato humilde de pedir perdão, desta forma restaurar meu equilíbrio interno e ter possibilidade de restaurar meu relacionamento com o outro.

Perniciosa e destrutiva ela passa a ser quando me recuso acreditar que sou merecedor do perdão a mim ofertado, daí me indispondo contra mim, acusando-me impiedosamente da ofensa que cometi.
Quando há abuso sexual, físico, psicológico dentro de casa (o que geralmente ocorre) é praticado pelo pai, mãe, irmãos, primos, empregados ou amigo da família, a criança pode até ser convencida de ser uma "brincadeira gostosa", uma vez que lhe dá prazer. Entretanto ela sabe que não está certo e a culpa crescerá dentro dela, de forma inconsciente. Ela pode ficar fixada na fase em que o abuso ocorreu, e os frutos dessa "brincadeira" vão se tornando amargos na medida em que cresce: poderá se sujeitar a duvidar de si mesmo e acreditar na palavra do outro, da mesma forma como, sabendo que não era correto a "brincadeira" que o adulto lhe fazia quando pequena, desconfiou de si para confiar nele; poderá crescer sendo excessivamente sensual buscando inconscientemente conquistar aquele adulto abusador;  duvidar de seus julgamentos; sentir-se atraída/o por pessoas mais velhas de mesmo sexo que aquele adulto que a abusou; sentir ojeriza, aversão ao sexo, o que dificultará vida conjugal.
O adulto fixado na fase infantil dificilmente se desvencilhará para crescer e desenvolver física, psíquica, mental, emocional, profissional, conjugal, pois não crê em si mesmo, numa similaridade daquele modo como se sentiu ao ser usado pelo ser no qual confiava, ou seja, o conflito presente entre  "ele/a fala que pode fazer, que é gostoso X sinto gostoso, mas parece que ninguém pode ver" lhe causa desgaste psíquico pela culpa aí instaurada.
É tão proibido à criança contar o que lhe ocorreu, que ela enterra em seu psique lembranças relacionadas a este fato, de forma que muitas vezes o adulto se torna depressivo ou com outros transtornos mentais devido a esta lembrança nunca mais revista, trancafiada em seu mais íntimo, lembrança que insistentemente bate à porta do Consciente querendo sair, até
que sai disfarçado em forma de alergias, depressões, transtornos e outras.
Geralmente a pessoa com tais sintomas busca somente auxílio médico quando na realidade, a Terapia Psicológica associada ao Tratamento Psiquiátrico e aos Exercícios Espirituais de Perdão auxiliarão o Sujeito a ser curado de seus tramas, erradicando a culpa e propiciando uma vida verdadeiramente livre.

AnacrisAquino


















sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Crianças francesas X Déficit de Atenção (TDAH)

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     Interessantíssimo como a diferença cultural influi na forma de ver um mesmo fato sob prisma diferente: sabe que o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), transtorno tido como biológico-neurológico e tratado via medicamentosa em crianças em idade escolar nos EUA, na França os psiquiatras infantis buscam a raiz do problema investigando qual/quais possibilidades que estão a causar o sofrimento infantil levando ao desenvolvimento deste sintoma; investigam o contexto social em que a criança está inserida (não significa descartar a investigação do cérebro da criança) e optam pelo tratamento com terapia ou aconselhamento familiar. 
Na França, menos de 0,5% das crianças em idade escolar são medicadas, para 9% nos EUA. Isto ocorre pelo fato dos EUA verem o TDAH como disfunção química cerebral infantil, um distúrbio biológico segundo o  DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) com causas biológicas, tratado com estimulantes psíquicos, como Ritalina e Adderall.
Já a França vê o TDAH como um sintoma, uma resposta infantil àquilo que está a causar sofrimento na criança, então a necessidade de investigar o contexto Família e trata-la. 
A Federação de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação das doenças mentais, a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L'Enfant et L'Adolescent), em que foca a identificação e tratamento das causas dos sintomas infantis. Inclusive no que tange à alimentação com corantes, conservantes e/ou alérgenos, os psiquiatras franceses e os pais de crianças portadoras desse transtorno estão conscientes da atuação destes alimentos no agravamento dos sintomas.
Um outro dado importantíssimo é que as crianças francesas são geralmente mais comportadas que as americanas,devido à filosofia de educação, de disciplina. Desde seu nascimento, os pais franceses dão uma boa dose de limites aos filhos: a hierarquia familiar é clara e firme, aprendem aguardar os momentos das refeições sem tomar lanches ou salgados a hora que quiserem; são incentivados a desenvolver suas capacidades, no entanto podem e devem escutar "Não" e levar palmadas, desde que seja de forma criteriosa.
Quando a criança possui limites bem estabelecidos, visão clara da hierarquia na Família, firmeza em seu desenvolvimento, tudo isso leva a criança a desenvolver auto-controle, de modo que não precisem de medicamentos para controla-las.
É importante cada um de nós saber destas experiência relevantes e questionarmos o que queremos construir, pois a formação que damos aos nossos filhos falam de sua construção segura e resistente ou frágil e sem vida.

Anacris Aquino


Marilyn Wedge, em Psichology Today Tradução: Equilibrando