Um homem com coragem para salvar 40.000
Ele desafiou a cadeia, a morte e a temível polícia chinesa para fazer uma diferença imensurável
O
Dr. Jim Garrow estava disposto a ser chamado de “contrabandista” e um
“traficante de crianças”, arriscando sua vida se a polícia chinesa
descobrisse o que estava fazendo. Mas para esse canadense vivendo na
terra da política do filho único, salvar meninas recém-nascidas da morte
certa valia o risco.
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| Jim Garrow |
Essa
impressionante história de como um homem começou uma jornada que
literalmente salvou as vidas de mais de 40.000 crianças (e continua
salvando) começou em 2000, quando Garrow, um diretor incrivelmente bem
sucedido das escolas populares do Instituto Bethune na China, um dia
encontrou sua assistente chorando.
A
mulher lhe explicou que o marido de sua irmã estava insistindo que a
filha recém-nascida do casal fosse “deixada de lado” (ou seja, morta),
para possibilitar que tivessem um menino, conforme a política chinesa do
filho único.
Garrow
prometeu ajudar, e conseguiu realocá-la junto a um casal adotivo. Mas
esse único ato de bondade e coragem logo o levou à história de outra
menininha em risco, e outra, e mais outra.
“Eu
não tracei um plano para salvar as vidas de meninas em risco. Expressão
engraçada: em risco. Geralmente está associada a focas ou golfinhos”,
explica Garrow em seu novo livro The
Pink Pagoda: One Man’s Quest to End Gendercide in China (O Pagode Rosa:
A Jornada de Um Homem para Acabar com O Genocídio das Meninas na
China), publicado pela editora do WND. “Minha paixão, minha missão,
não começou com uma grande visão de mundo. Tudo começou com uma criança,
cujos pais depararam com a realidade de 'deixá-la de lado’".
Não
demorou até que seu trabalho de salvar vidas se tornasse conhecido, e
Garrow chegou a gastar cerca de US$ 31 milhões do próprio bolso para
desviar o caminho da morte que a China cria com os limites ao número de
filhos.
Mas como explica Garrow em The Pink Pagoda,
nem mesmo seu dinheiro e suas conexões (seu guanxi, como dizem os
chineses), poderiam protegê-lo do perigo que estava prestes a enfrentar
quando começou a salvar vidas.
“Nossos
preparativos iniciais não indicaram problema algum”, relata Garrow, em
uma das angustiantes histórias dos seus primeiros dias resgatando
crianças. “Chegamos à casa da criança, a pegamos e voltamos para o
carro. Éramos três, duas mulheres e eu, e tudo parecia ter saído bem até
que partimos pela estrada. Rapidamente percebemos que estávamos sendo
seguidos, e tivemos que mudar nossa estratégia”.
“Decidimos
pegar o metrô e rapidamente planejamos uma tática de isca falsa",
prosseguiu. “Uma das mulheres ficaria segurando o bebê, e a outra um
‘embrulho’ que simulava um bebê. Dentro do metrô, as duas mulheres iriam
se separar, e nossos perseguidores não teriam como saber qual das
mulheres estaria de fato com a criança. A mulher com o bebê verdadeiro
desceu no lugar designado e se juntou a nós mais uma vez para a jornada
de volta a Chongqing. Foi o mais próximo do perigo que estivemos até
agora, mas infelizmente não foi o último nem o pior”.
“Aquele
perigo estava nos cercando, mas assim como a estória budista do peixe
que não sabia que estava na água, eu não sabia que estava me afundando”
escreve.
Pouco
tempo depois, Garrow recebeu a visita de um membro da polícia secreta
chinesa, dando início a uma perseguição dissimulada com o serviço de
inteligência, com a diferença de que não eram segredos sendo
contrabandeados, mas crianças.
“As
pessoas frequentemente perguntavam como eu lidava com esse tipo de
pressão”, explica Garrow. “Simples: Eu não lidava. Se eu focasse minha
atenção em eventualidades, todos os meus esforços seriam prejudicados.
Tudo o que eu fiz foi seguir em frente. Lembrei-me também da promessa
que havia feito a Deus muitos anos atrás. Estava conectado a um tipo de
certeza divina, e adotei o que para muitos é nada mais do que um clichê
evangélico: 'Deixar tudo nas mãos de Deus’. Para mim isso não era um
clichê, mas um decreto”.
Utilizando
os mesmos dons empreendedores que levaram ao sucesso de suas escolas
Pink Pagoda, de imersão linguística em inglês (mais de 160 delas),
Garrow se lançou em uma carreira para salvar filhas indesejadas.
Arriscando
sua família, seus funcionários, informantes chineses valiosos e sua
própria segurança para salvar meninas, uma de cada vez, das garras da
morte, Garrow ilustra o poder de Deus para moldar vidas e influenciar
pessoas a lutar contra as injustiças do mundo.
Seu trabalho envolve espalhar entre as famílias chinesas a informação de que há casais pelo mundo interessados nas suas filhas.
Por
seus esforços de “tráfico humano”, Garrow foi indicado para o Prêmio
Nobel da Paz de 2009, que acabou sendo entregue a Barack Obama.
O
livro de Garrow leva o leitor a um mundo que continua sendo coberto de
mistério e sombras. O propósito do livro não é o de denegrir o governo
ou a população chinesa. Em vez disso, a história do genocídio de meninas
e dos esforços de Garrow em por um fim nele representam uma tragédia
terrível para a China, cuja população é forçada a tomar escolhas
dolorosas por causa de uma lei mal concebida criada em 1979.
É
uma história de coragem, perigo e ousadia, mas Garrow não se vê como um
homem de coragem extraordinária, mas de simples convicção.
“Sou um homem comum”, escreve Garrow, “que se viu pego em circunstâncias extraordinárias e que respondeu com uma palavra: Sim”.
Traduzido por Luis Gustavo Gentil do artigo do WND: “1 man with the courage to save 40,000'”
Fonte: www.juliosevero.com
Anacris Aquino

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